O meu momento, hoje, em maio de 2005, é de descrença. A minha esperança política consuma-se velozmente. Os governos da esquerda são tão bisonhos e pífios quanto os da direita. Haja corrupção, haja discursos ambíguos... O verdadeiro pano de fundo, ao que me parece, não é a violência urbana tão intensamente exibida na mídia mas a corrupção cuja invisibilidade os potentados ainda a controlam e o povo a tolera, impassivelmente, como que por meio de injustificável eufemismo...
Ler Senador Pompeu em crônicas foi um elixir espiritual. Foi uma benção. Compreendi, ali, dignas atitudes da criatura humana. José Maria Saraiva Junior, meu primo, seu autor, é um craque das palavras e de condutas. Um epistemológico.
Não obstante o fervor da ditadura militar tínhamos, eu e ele, naturais sonhos de adolescentes. Ele sempre mais inquieto e de espírito mais livre pela saudável influência de sua professora-mãe. Eu, taciturno. Ele conversava avidamente com as pessoas e fazia amizades facilmente. Eu conversava muito comigo mesmo e tinha surtos de espontânea extroversão quando diante dele e de sua irmã, Bete. Ríamos prazerosamente. Dizíamos sempre o que o ego do outro queria ouvir. Éramos ingenuamente felizes...
Impressionava-me, deveras, sua natural habilidade para lidar com várias namoradas, seu pendor pela leitura, pelos livros e pela poesia. Ainda me lembro de quando o Daniel, amigo comum, leu uma de suas poesias salvo engano na Casa da Cultura de Fortaleza e um dos seletos jurados fez menção de que os Saraiva de Quixeramobim são mesmo inteligentes e idealistas tal como o foi Antonio Conselheiro, tal como o são os filhos ilustres daquela belíssima cidade. Ainda me lembro de outra poesia que falava qualquer coisa sobre asfalto verde. Era uma espécie de protesto alternativo. Afinal aprendi com ele a ouvir Raul Seixas, nosso maluco beleza, nosso ídolo maior, o parceiro do não menos genial Paulo Coelho, de quem, bem depois, li dois ou três livros.
Percebo, hoje, que meu primo Saraiva Junior excedia-se agradavelmente por atitudes líricas e românticas. Fez, ao seu modo, o bom combate contra os reacionários do poder. Certamente não foi um genuíno revolucionário, mas com certeza não foi um Genuíno delator...
Certa feita, eu, ele e Daniel fomos de trem até Quixeramobim. Nosso falso pretexto: seguir um Circo que tinha acabado de passar por Senador Pompeu. Na volta, decidimos aventurar, caminhando, uma carona. Guardadas as proporções, imaginávamos ser os cavalheiros da estrada pertencentes a uma honrada aristocracia de viajantes. Eis nossa odisséia por aventuras. Nosso belíssimo grito por liberdade... Éramos, sem saber ou sabendo, três inofensivos mosqueteiros do bem ou três desbravadores Che Guevara tupiniquim...
E como era bela aquela paisagem, que vimos, andando - ainda fixa em minha mente - por sobre a barragem de Quixeramobim !
Como se vê, não há mais adolescentes como antigamente ou como no nosso tempo...
O adolescente Saraiva Junior foi sempre altivo e determinado como o foi seu honroso pai. Foi despojado de grandes ambições materiais. Soube ousar. Foi preso pela ditadura. Na época eu não entendia direito o verdadeiro motivo de sua prisão e o porquê de outros amigos seus...
Neste ponto o destino nos impôs caminhos diversos. A minha predestinação impunha-me a ser parnasianamente mais objetivo. Eu precisava rapidamente de um emprego, de um sustento de vida... E assim ingressei por concurso na Polícia Federal. Fiz carreira e família. Fui superintendente e secretário de segurança. Aposentei-me. Tentei carreira política no PC do B. Fracassei. Ele militou como advogado, constituiu família, e também por concurso é hoje auditor fiscal do trabalho.
Vivemos nossa adolescência, eu e ele, no momento áureo da ditadura militar. Na época do milagre brasileiro. Não por milagres, mas por estudos, conseguimos empregos... Nunca tivemos ambição pelo ganho fácil.
A palavra está, agora, com nossos filhos...
Ler Senador Pompeu em crônicas foi um elixir espiritual. Foi uma benção. Compreendi, ali, dignas atitudes da criatura humana. José Maria Saraiva Junior, meu primo, seu autor, é um craque das palavras e de condutas. Um epistemológico.
Não obstante o fervor da ditadura militar tínhamos, eu e ele, naturais sonhos de adolescentes. Ele sempre mais inquieto e de espírito mais livre pela saudável influência de sua professora-mãe. Eu, taciturno. Ele conversava avidamente com as pessoas e fazia amizades facilmente. Eu conversava muito comigo mesmo e tinha surtos de espontânea extroversão quando diante dele e de sua irmã, Bete. Ríamos prazerosamente. Dizíamos sempre o que o ego do outro queria ouvir. Éramos ingenuamente felizes...
Impressionava-me, deveras, sua natural habilidade para lidar com várias namoradas, seu pendor pela leitura, pelos livros e pela poesia. Ainda me lembro de quando o Daniel, amigo comum, leu uma de suas poesias salvo engano na Casa da Cultura de Fortaleza e um dos seletos jurados fez menção de que os Saraiva de Quixeramobim são mesmo inteligentes e idealistas tal como o foi Antonio Conselheiro, tal como o são os filhos ilustres daquela belíssima cidade. Ainda me lembro de outra poesia que falava qualquer coisa sobre asfalto verde. Era uma espécie de protesto alternativo. Afinal aprendi com ele a ouvir Raul Seixas, nosso maluco beleza, nosso ídolo maior, o parceiro do não menos genial Paulo Coelho, de quem, bem depois, li dois ou três livros.
Percebo, hoje, que meu primo Saraiva Junior excedia-se agradavelmente por atitudes líricas e românticas. Fez, ao seu modo, o bom combate contra os reacionários do poder. Certamente não foi um genuíno revolucionário, mas com certeza não foi um Genuíno delator...
Certa feita, eu, ele e Daniel fomos de trem até Quixeramobim. Nosso falso pretexto: seguir um Circo que tinha acabado de passar por Senador Pompeu. Na volta, decidimos aventurar, caminhando, uma carona. Guardadas as proporções, imaginávamos ser os cavalheiros da estrada pertencentes a uma honrada aristocracia de viajantes. Eis nossa odisséia por aventuras. Nosso belíssimo grito por liberdade... Éramos, sem saber ou sabendo, três inofensivos mosqueteiros do bem ou três desbravadores Che Guevara tupiniquim...
E como era bela aquela paisagem, que vimos, andando - ainda fixa em minha mente - por sobre a barragem de Quixeramobim !
Como se vê, não há mais adolescentes como antigamente ou como no nosso tempo...
O adolescente Saraiva Junior foi sempre altivo e determinado como o foi seu honroso pai. Foi despojado de grandes ambições materiais. Soube ousar. Foi preso pela ditadura. Na época eu não entendia direito o verdadeiro motivo de sua prisão e o porquê de outros amigos seus...
Neste ponto o destino nos impôs caminhos diversos. A minha predestinação impunha-me a ser parnasianamente mais objetivo. Eu precisava rapidamente de um emprego, de um sustento de vida... E assim ingressei por concurso na Polícia Federal. Fiz carreira e família. Fui superintendente e secretário de segurança. Aposentei-me. Tentei carreira política no PC do B. Fracassei. Ele militou como advogado, constituiu família, e também por concurso é hoje auditor fiscal do trabalho.
Vivemos nossa adolescência, eu e ele, no momento áureo da ditadura militar. Na época do milagre brasileiro. Não por milagres, mas por estudos, conseguimos empregos... Nunca tivemos ambição pelo ganho fácil.
A palavra está, agora, com nossos filhos...
Do primo. Airton Franco. Maio/2005.
Publicado no portalaz.com.br

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