domingo, 9 de março de 2008

ESQUECERAM O SOCIALISMO

Houve um tempo em que ser de esquerda significava dizer que o indivíduo acreditava na revolução socialista. Onde existisse um órgão vivo da sociedade, como sindicatos de trabalhadores, centros acadêmicos estudantis e associações de bairros, lá estava um membro da esquerda preparando essas lideranças, através de cursos marxistas (política, economia, história e filosofia), para uma nova sociedade socialista.
Nessa época - é bom que fique claro - não havia liberdade política e o país vivia sob o tacão de uma ditadura militar. Então, esse trabalho de conscientização era realizado de forma clandestina e, vez por outra, um companheiro era preso e torturado. Com o tempo, o leque da participação popular foi se abrindo e surgiu o Partido dos Trabalhadores (PT), que nos primórdios de seu estatuto pregava a luta pelo socialismo.
É interessante mencionar que a idéia central era garantir que os setores da sociedade civil organizados pudessem ter vez e voz. Em outras palavras, que fossem os atores sociais tão ou mais fortes do que os tradicionais partidos políticos, muitas vezes inoperantes e retrógrados. Portanto, o horizonte daquela militância estava voltado para um processo revolucionário em que a participação do povo seria maior e mais importante do que a representatividade dos políticos profissionais.
Hoje há democracia e muitos partidos políticos. Com esses, vieram diversos canais de participação, como o plebiscito, o referendo, a tribuna popular e até as famosas audiências públicas. Muito bem! E o que aconteceu afora a esmola do bolsa família? Nada. O povo continua na miséria. Aos pobres, resta o convite da festa da democracia apenas nas eleições, que, por sinal, pouco ou nada decidem em seu favor.
Aconteceu, porém, que muitos daqueles velhos militantes da esquerda galgaram o posto de político profissional, aferraram-se ao status de deputado, senador, governador etc, e esqueceram completamente a revolução socialista. Os militantes da praticidade administrativa (que nem se dizem de esquerda) estão embevecidos com o poder - que é falso e passageiro - e não sabem que o sonho do socialismo ainda existe.

Saraiva Júnior,
Auditor Fiscal do Trabalho.